Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Barbeiros

Ser barbeiro é viver uma vida de comichão. Se há coisa capaz de dar cabo dos nervos a um buda, são os cabelinhos que se soltam durante uma boa tosquia e depois se alapam nas costas, orelhas e testa (a careca dos monges budistas pode ter aqui ser explicada com TOC). Se o tempo que levamos entre a saída da barbearia até à banheira mais próxima pode ser penoso, imagine-se o flagelo que é passar por estas comichões durante 5 dias da semana das noves às cinco. Por esta ordem de ideias o Dalai Lama que se cuide, não vá o lider espiritual ser substituído pelo Sr. Alberto da barbearia/atelier de cabelos "O Naifas". Nunca vi um barbeiro a queixar-se das comichões, e de certeza que os cabelinhos voam e e arranjam nova morada, talvez até nos pulmões dos ditos mestres das tesouradas.

A profissão de barbeiro foi pensada para incompetentes. Por pior que façamos o nosso trabalho, o tempo acabará sempre por encobrir.

Um dia, de cabelo já cortado, cara penteada com aquele espanador branco, o barbeiro enquanto ensaiava o movimento para me retirar cuidadosamente o manto de cabelos* diz uma frase que irá mudar a minha vida. "Já vais mais decente" ouvi eu enquanto olhava para o espelho e tentava desfazer com os olhos a marrafa perfeitamente desenhada a pente. Eu era um gaiato e aquelas palavras feriram a minha honra. Imagino o que o barbeiro me diria se aparecesse com as tranças que fiz no verão de 91 na República Dominicana. Foi a última vez que fui à barbearia do Sr. Alberto.

 

*corre o boato que o Sr. Alberto guardava os cabelos para encher o colchão e as almofadas de casa

sopa confeccionada por Pedro Figueiredo às 20:08
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Ó Sopa, volta pra trás

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